'Digo alô ao inimigo, encontro um abrigo no peito do meu traidor...'

17 de jul. de 2009

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir...
Chico Buarque !

16 de jul. de 2009

"Não morro de amores por pessoas sem mistério. Quando se é muito transparente, muito risonho e educado é raro ser levado a sério. Prefiro os mais silenciosos, os que abrem a boca de menos, os mais serenos e mais perigosos, aqueles que ninguém define e que sempre analisam os fatos por um novo enfoque; prefiro os que têm estoque aos que deixam tudo à mostra na vitrine"
Martha Medeiros

15 de jul. de 2009

"Todo o leviano tem me feito nula, e não me aceito como superficial.
Da entrega à quem, dos horários avessos, dos excessos em não querer me danificar por dentro.
Tenho abusado de minha ausência, e venho me esquecendo assim como me esquecem.
Ainda que árduo, tudo que digo é de extrema veracidade, e incomoda ser verdadeira nesse ajuntamento de enganos.
Por mais anestésica que seja a mentira ou a palavra não dita, seria incabível não me formar de mistérios à mim mesma, à quem quer que seja. Se me abuso, se me ausento ou se me prendo em algo, é por não saber me unificar. Sou muitas formas de ser e não ser em uma só."

12 de jul. de 2009

“Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, até mesmo um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar.”

[Caio, sempre...]

9 de jul. de 2009

SOLIDÃO ?

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõecompulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância!Solidão é muito mais do que isto...

2 de jul. de 2009

"Tem gente que é só passar pela gente
que a gente fica contente...
Tem gente que sente o que a gente sente e passa isto docemente...
Tem gente que vive como a gente vive,
Tem gente que fala e nos olha na face,
Tem gente que cala e nos faz olhar...
Toda essa gente que convive com a gente, leva da gente o que a gente teme passa a ser gente dentro da gente.
Um pedaço da gente em outro alguém "