'Digo alô ao inimigo, encontro um abrigo no peito do meu traidor...'

27 de out. de 2009

Nunca me dei bem
com a saudade.
Não consigo deixá-la intensa.
Ela afronta a minha sensibilidade
e fragiliza minhas vontades...
Põe-me lágrimas nos olhos e
ressuscita lembranças...
Definitivamente ela continuará
batendo à porta do meu coração.
Fingirei não ouvir...

15 de out. de 2009

...O rápido vai sem pressa. Desaprendi a tomar jeito no compasso
O agora só tem sentido se caminha sem teu passo. Desdobrei sem passar.Se o passo não fosse o meu mal.Compassada viveria.
[...vivo mais ou menos assim...]

9 de out. de 2009

...PORQUE AS VONTADES TÊM A FORÇA DE MIL ASAS.

20 de set. de 2009

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida. Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
[LYA, SEMPRE LYA...]